O novo espaço, em Santiago, será para consultas individuais. No Caião, a APSIC quer fazer “a ponte” com a escola e prevenir o abandono escolar
Cláudia Carneiro
A partir de Setembro, a Associação de Apoio e Acompanhamento Psicológico à Criança (APSIC) vai ocupar duas salas no Mercado de Santiago, cedidas pela Câmara Municipal, alargando a sua área de acção que, até aqui, estava confinada ao bairro do Caião.
No novo espaço vai funcionar a componente clínica, onde terão lugar consultas de psicologia, terapia da fala de acção social, aproximando-se a APSIC aos moradores de Santiago.
A associação assinalou o seu segundo aniversário com um espectáculo de ballet, interpretação do poema de Florbela Espanca “Perdidamente”, actuação das tunas de Santa Joana e dança das crianças da APSIC.
E jeito de balanço de mais um ano de actividades no âmbito do projecto “A brincar também se cresce”, a directora técnica da instituição refere que o impacto do trabalho dos técnicos junto das crianças do Caião não podia ser mais positivo. “São visíveis as melhorias no seu comportamento, já que desenvolveram competências de interacção social e ao nível dos valores, o que se verifica mesmo em contexto escolar”, afirma a responsável. A aproximação da APSIC às crianças fez nascer um “elo emocional”, que leva os mais novos a lamentar o período de férias de Verão, durante o qual as instalações da APSIC permanecem encerradas. “Eles próprios sentem falta e dizem-nos muita vezes que anseiam pela reabertura”.
Contudo, a responsável assegura que o trabalho poderia ter resultados mais amplos se fosse mais intensivo e de frequência mais regular. “Encontramo-nos apenas aos sábados à tarde. Se fosse mais vezes o resultado seria melhor e mais notório”.
Actualmente, a APSIC tem funcionado num espaço cedido pela Junta de Freguesia de Santa Joana. O local é propício às sessões de grupo, porque permite a participação de todos os elementos. A futura localização, em Santiago, virá alargar o espectro da intervenção, permitindo um trabalho individualizado e dirigido também aos encarregados de educação.
Para aplicar no Caião, a APSCI tem na calha um projecto de aproximação à escola, que estabeleça a ponte com as famílias e possa colmatar as dificuldades de crianças com necessidades educativas especiais. “Consideramos o nosso apoio fundamental para que alcancem algum sucesso em meio escolar, já que muitas não contam com uma estrutura familiar firme, o que propicia o abandono escolar”, lamenta a directora técnica. A equipa da APSIC é multidisciplinar, constituída, entre outras formações, por psicólogos e técnicos de acção social.
APSIC acredita que “A brincar também se cresce”
n Segundo a Associação de Apoio e Acompanhamento Psicológico à Criança, o objectivo do programa “A Brincar também se Cresce” passa por desenvolver nas crianças e jovens o bem-estar global, promovendo o ajustamento emocional e psicológico e melhorando a sua capacidade de gerir adaptativamente o mundo interno. Desenvolve capacidades ao nível social entre as quais a capacidade de relacionamento interpessoal, a educação para os valores, a prevenção de comportamentos de risco e capacidade de ser assertivo, bem como um auto-conceito positivo.
A brincar e a participar em jogos as crianças experimentam falar delas, das suas atitudes, sentimentos e comportamentos, da sua relação com os outros. Aprendem a lidar com a frustração, gerir pequenas derrotas e a fazer escolhas e planos de vida.