Sem computadores não há marcação de consultas no Centro de Saúde de Aveiro. Só as de “atendimento complementar”, ou seja, as de “necessidade urgente”
João Peixinho
Ontem foi o segundo dia consecutivo em que os computadores do Centro de Saúde de Aveiro estiveram sem funcionar, provocando um regresso ao tempo em que tudo era feito em papel. No entanto, a coordenadora, Alice Pôncio, esperava que a qualquer instante o acesso ao sistema informático voltasse a ser possível.
O efeito mais visível para os utentes provocado pela falta de acesso ao sistema informático era a impossibilidade de marcação de consultas para os dias seguintes, dado não ser possível ter acesso às agendas dos médicos de família. Contudo, mantinha-se o atendimento complementar assegurado por dois médicos, entre as oito e as 20 horas, para os casos de “necessidade urgente”.
O que não era possível era a marcação de consultas com os médicos de família que, inevitavelmente, ficaram adiadas.
Ontem, os técnicos de informática mantinham-se no edifício a tentar resolver o problema mas, quanto ao tratamento dos dados, estava ontem a ser feito “tudo à mão”, lamentava Alice Pôncio.
Os utentes que não tiveram possibilidade de marcar consultas com o seu médico de família teriam a alternativa da consulta através do atendimento complementar, que é prestado no dia da marcação, mas apenas para casos de “necessidade urgente”. A coordenadora da unidade de saúde esperava que as pessoas tivessem o “bom senso” suficiente para apenas tentar esta opção se de facto houvesse essa “necessidade urgente”.
Consultas de rotina, vigilância e observação de análises, por exemplo, são actos médicos que tiveram de ser adiados. Todo o sistema informático foi afectado, não apenas a marcação de consultas, mas também os serviços de enfermagem e administrativos.
Nos últimos dois dias faltou a possibilidade dos utentes terem conhecimento de quando o sistema ficaria operacional. Os que contactaram o Centro de Saúde nos últimos dois dias para marcar consulta, não para um “atendimento complementar, teriam de voltar a fazê-lo para ficarem a saber sobre a possibilidade ou não da marcação de consulta”, explicou Alice Pôncio.