A adesão à greve nacional que decorre desde quarta-feira atingiu, ontem, no distrito, os 94 por cento, com os hospitais a assegurar apenas os serviços mínimos
Carla Real Eduardo Pina (foto)
Os enfermeiros do distrito de Aveiro também contribuem para os resultados nacionais da greve que decorre desde quarta-feira e que tem paralisado hospitais por todo o país. Uma paragem que justificam com a “vergonhosa discriminação” de que se consideram alvo por parte do Governo, que acusam de “não reconhecer” a sua formação e competências. No distrito de Aveiro, e de acordo com a delegação de Aveiro do Sindicato dos Enfermeiros, a média de adesão à greve no primeiro dia (quarta-feira) foi de 92 por cento (tendo mesmo alcançado os 100 por cento no Hospital de Anadia). No segundo dia (ontem), esta média subiu ainda dois pontos percentuais (tendo-se sentido com mais intensidade no Hospital de Aveiro, onde apenas foram assegurados os cuidados mínimos obrigatórios, de sete profissionais nas Urgências). Esta tarde, e ao contrário do que tem acontecido em lutas passadas desta classe (em que o número de aderentes foi consideravelmente menor), os profissionais do distrito aveirense deslocam-se a Lisboa, onde se manifestarão junto dos ministérios da Saúde e das Finanças, fazendo-se transportar em seis autocarros (mais do dobro do que em anteriores lutas).
Distrito regista greve “nunca antes vista” Carlos Neves, da delegação de Aveiro do Sindicato dos Enfermeiros, não hesita em afirmar que a adesão verificada no distrito é inédita. “Nunca antes se viu uma greve dos enfermeiros com estas proporções em Aveiro”. De acordo com os profissionais, o Ministério da Saúde (MS) “mantém a regra da não valorização salarial na transição, ou seja, só daqui a quatro anos é que o início de funções seria remunerado pela posição 15, que equivale a cerca de 1.200 euros”. Durante este período, os enfermeiros transitariam até esse valor de forma faseada. “Até lá, o MS propõe que o ingresso seja feito como Bacharéis, ou seja, pelos actuais 1.020 euros”, quando o valor justo, dizem, seria os 1.510 euros, à semelhança do que se verifica noutras classes da administração pública, como a dos professores. Outra das queixas dos enfermeiros reside noutro ponto da proposta do MS, segundo o qual o topo da categoria de enfermeiro equivaleria ao nível remuneratório 48, ou seja, cerca de 2.900 euros, assumindo, dessa forma, que os actuais chefes e supervisores não transitam para o escalão de Enfermeiro Principal, limitando o acesso ao topo da carreira a apenas dez por centos dos profissionais. Entretanto, a ministra da Saúde, Ana Jorge, já apelou ao “bom-senso” dos enfermeiros.