Fábrica de baterias vem para Aveiro. Mas para que concelho?
Amanhã deverá ser anunciado qual o concelho onde o grupo Renault-Nissan investirá 250 milhões de euros. Há dúvidas sobre qual o município escolhido
Rui Cunha Foto de Arquivo
Parece seguro que a nova fábrica de baterias para carros eléctricos do grupo Renault-Nissan em Portugal será construída na zona de Aveiro. Mas há dúvidas sobre qual o concelho que irá receber o investimento de 250 milhões de euros que propiciará a criação de cerca de 200 empregos.
Segundo a edição de sábado do Diário Económico, a decisão será anunciada amanhã, numa cerimónia em Lisboa que contará com a participação do presidente da construtora automóvel franco-nipónica, Carlos Ghosn, e do primeiro-ministro português, José Sócrates.
A notícia refere que o empreendimento ficará sediado na região de Aveiro, sem especificar onde. Sabe-se que Estarreja seria, a par com Sines, uma das principais candidatas a receber o projecto. Mas Aveiro também figuraria na lista.
Na região circulam informações contraditórias. Uma fonte da Câmara de Aveiro não dá a fábrica como certa no concelho. Mas Adelino Nunes, trabalhador da Companhia Aveirense de Componentes para a Indústria Automóvel (C.A.C.I.A.) e dirigente sindical, contou ao Diário de Aveiro que responsáveis da Renault-Nissan terão estado à procura de terrenos nas imediações desta empresa para instalar a futura fábrica. Outras fontes locais ouvidas pelo Diário de Aveiro confirmaram que a nova unidade será construída na região, mas sem se comprometerem com uma localização específica.
Decisão será anunciada por Carlos Ghosn e pelo primeiro-ministro português, José Sócrates
O presidente da Câmara de Estarreja, José Eduardo Matos, disse desconhecer qual a decisão da construtora franco-nipónica. Segundo o autarca eleito pela coligação PSD/CDS, o município procurou apurar no final do mês passado em que pé estava o processo e apenas lhe foi comunicado que a escolha seria anunciada “no início de Dezembro”.
O edil sempre defendeu a opção pelo eco-parque de Estarreja. Mas a Comissão de Trabalhadores (CT) da C.A.C.I.A. intrometeu-se para sustentar que a fábrica deveria localizar-se em Aveiro.
Um dos argumentos é que a C.A.C.I.A. integra a aliança Renault-Nissan, sendo fornecedora de peças exclusivamente para fábricas no estrangeiro da parceria franco-nipónica. A escolha deve recair em Aveiro para aproveitar o “potencial produtivo instalado”, argumenta a CT, que tomou a iniciativa de comunicar ao Governo português a intenção de ver instalada a futura unidade industrial no concelho.
Amanhã o mistério deverá ser desfeito acerca de uma unidade que deverá começar a laborar em 2012 com uma capacidade para fabricar 60 mil baterias por ano.