Incluir workshops de música em circuitos turísticos
A ideia tem a “assinatura” da Oficina de Música de Aveiro, que quer “juntar o útil ao agradável”. Um dos objectivos é tornar a estadia dos visitantes mais divertida e interessante
Sandra Simões Paulo Ramos (foto)
Aveiro pode vir a ser a primeira cidade portuguesa a proporcionar aos turistas seniores a participação em workshops de música, teatro e dança.
A ideia tem a “assinatura” da Oficina de Música de Aveiro (OMA), que quer “juntar o útil ao agradável: por um lado tornar a estadia dos visitantes mais divertida e interessante em termos artísticos e culturais e, simultaneamente, divulgar as três principais áreas de trabalho desta escola: a música, a expressão dramática e a dança”, defendeu Zé Tó ao Diário de Aveiro.
De acordo com este responsável, “os circuitos das excursões dos seniores nem sempre estão totalmente preenchidos. Os visitantes acabam por passar manhãs e tardes nos hotéis, a fazerem compras, ou ainda a ‘vaguear’ pela cidade, sem rumo”. Com esta proposta, a OMA pretende que as agências de viagens e operadores turísticos incluam nas estadias destes visitantes uma passagem pela OMA, onde podem participar em workshops específicos de uma determinada área artística ou que reúna as três.
“Tudo depende daquilo que for pedido. A OMA conta com 25 professores, que estão disponíveis para este projecto”, afirma aquele responsável, que divide a direcção da OMA com Luís Ribeiro e Marisa Rodrigues.
Em grupo ou individualmente
Esta ideia vem no seguimento da Oficina de Música Sénior – um projecto novo da OMA, prestes a arrancar e que é particularmente dirigido a uma faixa etária que, por norma, dispõe de muito tempo livre.
“São pessoas que, apesar da idade avançada, ainda têm interesse por coisas novas e, na sua maioria, vivem em solidão. Aqui, podem aprender (em grupo ou individualmente) um instrumento e, se quiserem, dança e teatro. Até podem querer montar um espectáculo e, então, experimentam todas as áreas”, nomeadamente técnicas de voz, postura, sonoplastia, luminotecnia…
De acordo com Zé Tó, os instrumentos são escolhidos por cada aluno e podem ir da guitarra ao cavaquinho, passando pela concertina, acordeão… sempre numa vertente mais tradicional da música portuguesa.
O responsável deixa um repto especial aos centros de dia que, por vezes, têm dificuldade em encontrar actividades ocupacionais para os seus utentes: “Uma vez por semana, um grupo de seniores pode vir à OMA e ter formação musical.
É uma forma de sair da instituição, viver novas experiências e conviver”, salienta, garantindo preços baixos e defendendo que, “em grupo, é mais fácil esta faixa etária aderir a uma situação nova”.