Antigo ministro também defende demolição do estádio
Depois do deputado do PSD Ulisses Pereira ter sugerido a demolição do Estádio, um antigo ministro da Economia alinha pela mesma ideia
João Peixinho
O ex-ministro da Economia, Augusto Mateus, também sugere a demolição do estádio construído em Aveiro que recebeu jogos do Euro 2004. "Há municípios que devem considerar a hipótese de demolição", disse em declarações à Bloomberg. Para Augusto Mateus, "é muito difícil lidar com dívidas de algo que não cria riqueza nem representa um bem público".
O estádio de Aveiro, gerido pela empresa municipal Estádio Municipal de Aveiro (EMA), é comparável, em termos de pressão financeira sobre as autarquias, aos estádios de Leiria, Faro e Loulé.
A Câmara de Aveiro paga, por ano, quatro milhões de euros em juros e amortizações, repartidos por empréstimos ou locações financeiras contratualizadas para pagar a construção do estádio. A esta verba, a Câmara acrescenta, segundo o presidente da autarquia, custos mensais de 50 a 60 mil euros para a manutenção do equipamento.
Mas o tema já foi levantado em Outubro do ano passado pelo social-democrata Ulisses Pereira, pouco depois de eleito deputado à Assembleia da República. Nessa altura, o então líder da concelhia de Aveiro do PSD e responsável pelo Parque Desportivo de Aveiro (PDA) defendeu a implosão do estádio.
O arquitecto Tomás Taveira, autor do projecto, foi o primeiro a reagir à ideia dizendo que “podem demolir à vontade e colocar lá uma estátua evocativa da inteligência desse senhor”. Em entrevista ao Diário de Aveiro, também em Outubro do ano passado, o presidente da Câmara, Élio Maia, disse que aquela proposta “foi feita apenas em termos individuais”. A implosão seria a última possibilidade, se outras “alternativas (de rentabilização, falharem todas“, disse.
A rentabilização do equipamento através de um espaço comercial já foi uma possibilidade mas o Plano Director Municipal (PDM) não o permite, uma vez que só prevê equipamentos desportivos para aquela zona. A solução pode passar por alterar o PDM. Entretanto, Élio Maia disse ainda, nessa entrevista de Outubro, que “a crise surgiu e os investidores retraíram-se e, neste momento, não temos nenhum investidor disponível para avançar nessa área”, afirmou. Élio Maia não sabe se o assunto será resolvido durante este mandato, mas “ficará de certeza o caminho perfeitamente definido”.
O envolvimento do Beira-Mar também é tido em conta. “Se o clube residente tiver disponibilidade, como assumiu no protocolo que fez connosco, de fazer a gestão do estádio durante um determinado período, não faz sentido pensarmos em mais nada. Se o clube não o fizer, somos nós obrigados a pensar na rentabilização”, explica o autarca. Mas o presidente da Câmara tem uma opinião sobre o que fazer ao estádio. “A solução passa sempre por criar mais envolvimento, por levar para lá as pessoas.
É um espaço muito afastado da cidade e das freguesias e é importante criar dinâmicas sociais, económicas e desportivas. E acredito que o próprio projecto do Parque Desportivo de Aveiro é fundamental”, afirma.
O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, também se pronunciou sobre o assunto, considerando a demolição um “perfeito disparate”.
Sobre a demolição, o então vereador da oposição socialista, Nuno Marques Pereira, disse que se tratava de um “atestado à sua própria incapacidade (de Ulisses Pereira) de não integrar o estádio no PDA e não conseguir projectar o estádio”.
De resto, disse que o estádio é um “orgulho para todos os aveirenses, custou muito dinheiro”, admitindo que os encargos financeiros “ainda se reflectem”, mas disse tratar-se de uma “infra-estrutura de uma nova centralidade”.